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Psicósmica

Lidando com nossos problemas

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11 de outubro de 2012

Condenar a si mesmo

Crueldade é atributo da criatura que se compraz em atormentar severamente os outros, utilizando atitudes rigorosas e inflexíveis para lidar com o mundo em seu derredor.

Toda crueldade nasce da fraqueza e da incapacidade das pessoas que não sabem relacionar-se com seu mundo interior. Isentamo-nos de responsabilidade sobre os fatos violentos, dando nome de paixão, de honra, de ordem social, para dissimular os pontos fracos e desajustados que possuímos.

As leis religiosas do passado mantiveram a humanidade sob o jugo de uma crueldade incalculável, com a imposição do sofrimento e da mortificação, justificando-os como sendo uma das maneiras que a Divina Providência utilizava para corrigir e reparar possíveis erros do presente e do passado. O que era um absurdo, pois, na verdade, Deus é amor, misericórdia e compreensão em abundância.

Os que contrariavam os padrões, normas ou dogmas estabelecidos por uma doutrina ou por um grupo tinham as mãos e as línguas decepadas e o corpo marcado com ferro. Quantos julgamentos sumários de pretensos hereges e feiticeiros acusados de crimes contra a fé! Quantos impiedosos apedrejamentos, quantas práticas perversas, quantos órgãos retalhados, quantos olhos queimados com brasa! Vastos foram os tempos do domínio pela crueldade, pelo medo e pela exploração emocional. Homens insensíveis utilizaram os mais variados métodos desumanos para manipular e controlar, de forma abominável, as pessoas em nome do bem-estar, da tradição, da religião, da família, dos bons costumes.

O castigo nunca evita o crime, somente a educação e o amor retificam as almas - eis a grande proposta da Divina Providência. No entanto, o homem, de tanto ser cruel consigo mesmo, aprendeu a projetar essa crueldade no mundo que o rodeia. De tanto se julgar de forma tirânica, aprendeu a ser déspota também com os outros. Os "requintes da perversidade" estão introduzidos na sociedade de forma tão sutil e imperceptível que, muitas vezes, não conseguimos indentificá-los de imediato.

Não existem mais inquisidores propriamente ditos; não obstante, ainda persiste a remanescente atmosfera dessas idéias preconcebidas. Não existem mais fogueira e guilhotinas, mas todos podemos nos converter em controladores e juízes da moral alheia se as circunstâncias forem propícias.

Julgamentos impiedosos que fazemos em relação aos outros nos informam sobre tudo aquilo que temos por dentro. Em outras palavras, a "forma" e o "material" utilizados para julgar ou condenar os outros residem dentro de nós.

O medo de ensinar de todos os grandes mestres, sempre e fundamentalmente, baseou-se no amor como método de educação das almas; por isso, Jesus não julgava, media ou sentenciava ninguém. Quem aprendeu a não condenar os outros não mais se condena.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)


7 de outubro de 2012

O aspecto mutante dos julgamentos

Em todo comportamento humano existe uma lógica, uma maneira particular de vivenciar e entender a verdade; portanto, julgar, medir e sentenciar os outros, não se levando em conta sua realidade existencial, é não ter bom senso crítico, flexibilidade e imparcialidade.

O que julgamos ser evidente e incontestável, na maioria das vezes não expressa a realidade.
O que julgamos ser verdade, na maioria das vezes é imaginação ou devaneio.
O que julgamos ser eterno e imutável, na maioria das vezes não passa de hoje.
O que julgamos ser errado agora, na maioria das vezes será integralmente reavaliado amanhã.
O que julgamos ser breve e superficial, na maioria das vezes possui longa duração.

Quando julgamos ou avaliamos, quase sempre o fazemos com nossos sentidos estreitos e visão diminuta, sem conhecer toda a extensão dos fatos, uma vez que nos faltam elementos satisfatórios para discernir tudo aquilo que é real e eterno nas coisas impermanentes - o que desabrocha e fenece num período do curto de tempo. Portanto, quase sempre erramos quando julgamos ou sentenciamos algo ou alguém.

"Por isso és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Porque, julgando a outrem, condenas a ti mesmo". É preciso avaliar os aspectos mutantes de nossos julgamentos.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)


2 de outubro de 2012

Mágoas

Alguém nos desprezou profundamente. Lançou sobre nossa alma o punhal da ironia. Julgou-nos impiedosamente, afirmando que o fracasso era destino fatal em nossa vida. Olhou-nos com desdém e, com leve sorriso sarcástico, deu-nos as costas como se não tivéssemos nenhuma importância. Nesse momento, nosso peito se inflamou pela dor descaso, o coração ardeu envolvido numa estranha aura de desamparo.

A mágoa pode surgir por muitos motivos, entre os quais por:
  • rompimento afetivo;
  • maledicência sobre a vida sexual de alguém;
  • preconceito determinado por idade e trabalho;
  • ingratidão dos filhos;
  • abandono de amizades queridas;
  • traição amorosa;
  • discriminação social;
  • exclusão motivada por raça, cor e credo religioso.
Aliás, ninguém consegue viver sem nunca se magoar com alguém ou com certas ocorrências. Na realidade, a mágoa é uma das muitas emoções humanas. Só não se emocionam os corpos inanimados, visto que as emoções nas criaturas vivas revelam a importância que elas dão a si mesmas, aos outros e aos acontecimentos. Se nada nos importasse, nunca teríamos mágoa, mas isso é impossível - a "importância" que damos a tudo que existe medo o grau de sentimento que possuímos por algo ou alguém.

Aconselhar uma pessoa ofendida a imediatamente esquecer, não se magoando com a ofensa, seria o mesmo que pedir-lhe que agisse como se a agressão nunca tivesse acontecido. Pode ser uma ideia equivocada a de "nunca se magoar e sempre esquecer", pois a não-aceitação de uma emoção real resulta no seu deslocamento para coisas fora do mundo interior - o fato desagradável fica focalizado no exterior, e a verdadeira causa da emoção permanece no escuro. Essa postura comportamental recebe o nome de ocultação dos sentimentos ou repressão.

Conseguiremos trabalhar melhor nossas mágoas não as reprimindo nem as intensificando, e sim desprendendo-nos, desligando-nos, ou melhor, colocando-nos a certa "distância mental/emocional" dos fatos ocorridos e das pessoas que neles se envolveram.

No entanto, isso não significa que devemos nos afastar hostil e friamente, viver alienados e impermeáveis aos problemas ou nos deixar de importar com tudo o que aconteceu, mas que podemos viver mais tranquilos e menos transtornados par analisar e, por conseqüência, concluir que as situações e os acontecimentos que nos cercam são reflexos ou criações materializadas dos nossos pensamentos e convicções.

Acreditamos que, ao fazer o proposto "distanciamento psicológico", teremos sempre mais possibilidades para perceber o processo interno que há por trás de toda mágoa. Não se magoar é impossível, mas perpetuar ou ignorar o fato desagradável pode ser comparado ao comportamento do escorpião que, quando enraivecido, inocula veneno em si mesmo com o próprio ferrão.

Perdoar não significa apenas esquecer as mágoas ou mesmo fechar os olhos para as ofensas alheias. Perdoar é desenvolver um sentimento profundo de compressão e aceitação dos sentimentos humanos, por saber que nós e os outros ainda estamos distantes do agir corretamente.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed) 



28 de setembro de 2012

Medo

O medo pode ser definido como um estado psíquico de inquietação constante, agitação ou impaciência diante de um perigo real ou imaginário.

O medo racional é saudável e necessária em nossa vida. Ele nos protege de nossa impulsividade e de nossos atos irrefletidos. No entanto, quando o medo é patológico, torna-se destrutivo e tem como resultado a imobilidade de nossas forças mais íntimas.

Eis alguns sintomas emocionais de temores que nos complicam a existência:
  • Agitação mental - incapacidade de relaxar e silenciar internamente, sendo preciso reler a mesma página diversas vezes.
  • Pessimismo e insegurança - hesitação pertinaz em face não só das grandes como também das pequenas decisões existenciais.
  • Dissociação mental - esquecimento constante das coisas mais naturais e simples do cotidiano.
  • Agressividade exagerada - irritação contínua com tendência a atacar gratuitamente os outros com ofensas e insultos.
  • Vulnerabilidade - sensação freqüente de melancolia, com choro fácil e atmosfera de perseguição contumaz.
  • Comportamento compulsivo - uso de atos ritualísticos propensos ao perfeccionismo; início de várias atividades ao mesmo tempo, sem término de nenhuma.
  • Aura de fracasso - desculpa por qualquer coisa e sentimento de humilhação constante na frente dos outros.
  • Falta de motivação - crises de perda de interesse pela vida; sensação de desânimo.
  • Mente exaurida - isolação da vida social. A criatura só executa o que é estritamente necessário para a sua manutenção diária.
Não podemos afirmar que todos esses sintomas estão relacionados apenas com o medo, mas, quando algum deles ocorrer, é necessário estarmos alerta, pois o medo pode estar servindo de base às nossas emoções e atitudes perante a vida.

No Espiritismo, encontramos as ferramentas essenciais e as técnicas sensatas para utilizar o medo na proporção certa e apropriada diante de cada fato ou acontecimento que tivermos de enfrentar.

O temor pode ser um ácido que venha consumir desnecessariamente nossas energias vitais. Entretanto, não podemos esquecer que "Se Deus está conosco, quem estará contra nós?".

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed) 



24 de setembro de 2012

Simplicidade

A vida de muitas criaturas, além de desvitalizada, é circunstanciada por miudezas dispensáveis, desperdiçada com detalhes desnecessários. A simplicidade traria enormes benefícios para elas, a tiraria do cativeiro dos valores estabelecidos pelas convenções arbitrárias, lhes clarearia a visão e lhes traria mais leveza e tranqüilidade existencial.

Acumular informação sem pensar, se atopetar de pertences, entulhar roupas e abarrotar a casa de coisas supérfluas é uma característica muito difundida na sociedade moderna.

À medida que novos elementos se somam aos bens físicos e intelectuais já adquiridos, passamos a alimentar a compulsão de armazenar ainda mais coisas, levando-nos a agir em função de uma suposta vantagem imediata, sem analisar as utilidades e conseqüências futuras dessa prática. Muitos indivíduos, equivocadamente, associam simplicidade com pobreza, mas existe uma diferença fundamental.

A simplicidade é uma opção de vida tanto do rico como do pobre, enquanto que a pobreza é, por si só, a privação de valores morais, intelectuais e espirituais de um indivíduo, e não necessariamente, a falta de recursos materiais para a sua subsistência. Quando nos livramos de tudo que é inútil e secundário, passamos a tomar consciência do que verdadeiramente temos e do que precisamos. Abrir mão dos trastes, de informações desnecessárias e de objetos em desuso exercita o desapego e facilita-nos a libertação dos ecos do passado. A partir disso, somam-se novas concepções, e as velhas mágoas, as culpas, os ressentimentos, os conflitos se dissipam, habilitando-nos a viver plenamente o momento presente.

Os homens simples se comunicam com sabedoria e humildade, enquanto que os complicados falam com presunção e pedantismo, são enfadonhos e prolixos, por que estão repletos de idéias ultrapassadas; contam e recontam seus discursos e mesmo assim parecem não dizer nada. A simplicidade de alma induz o indivíduo a se expressar com clareza, segurança e objetividade. Capazes de elaborar idéias de forma lógica, coerente e harmoniosa, tais pessoas resumem tudo o que querem dizer por meio de expressões sintéticas.

Quem se apartou da simplicidade vive "na futilidade dos seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus pela sua ignorância", por isso coleciona coisas neuroticamente, acreditando numa ilusória segurança, mas esquecendo que não pode encontrá-la fora de si mesmo, muito menos por trás de um amontoada de conceitos, informações, acessórios e pertences sem serventia.

Buda (Sidarta Gautama) ensinava: "Se você não conseguir em si mesmo, onde irá buscar?" Muita coisa no mundo da erudição é tida como formação cultural, quando, na verdade, nada mais é do que entulho intelectual.

Aquele que ignora seu "nível de necessidade" legítimo, determinado por sua realidade profunda, vive sobrecarregado pelo peso da repressão sociocultural, se distancia da simplicidade. Abrir mão de posses desnecessárias é ir ao encontro de uma vida pacífica e harmoniosa.

Muitas criaturas se abarrotam impensadamente das instruções obtidas nos jornais, na televisão, nas salas de aula, nos livros, como sendo verdades absolutas. Essas informações podem muito nos ajudar, desde que não as elejamos como a verdade. A verdade não está na conceituação das palavras ou textos que lemos, mas nas experiências que podemos ter com ela, e a partir dela.

As vozes inspirativas da alma são providas de síntese e simplicidade, que a Vida Providencial murmura em nossa intimidade. A simplicidade consiste em não ficar distante do que é natural e espontâneo, uma vez que aqueles que se afastam dela ficam "com entendimento entenebrecido" e "alienados da vida de Deus".

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed) 



17 de setembro de 2012

Sofrimento

Sofre o enfermo a privação na enfermaria comunitária.
Sofre o empresário bem-sucedido no apartamento hospitalar.
Sofre o necessitado, na favela, a escassez.
Sofre o rico, no palacete, a solidão.
Sofre a criatura anônima as dores morais.
Sofre o artista famoso os conflitos afetivos.
Sofre o destituído de autoridade, sem significado político.
Sofre o administrador dos negócios públicos os dramas e tramas do poder.
Sofre a mãe paupérrima, assim como a mãe milionária, a perde do ente querido.

São sofrimentos decorrentes das contingências da estadia terrena, produto da atual necessidade evolutiva da condição humana.

Mas a análise da dor pode ser vista sob outros ângulos: Sofrer por não querer assimilar novas experiências e ideias, fixando-se em preconceitos. Sofrer por não aceitar a própria estrutura da natureza humana. Sofrer por ser inflexível e rígido nos conceitos íntimos, permanecendo estagnado. Sofrer por não digerir a mensagem eloquente da voz interior. Sofrer por refutar o amor incondicional, preferindo o apego doentio. Sofrer por assimilar o conflito como parte de si, e não como circunstância passageira.

Eu não sou sofredor. Eu estou sofrendo. Ser e estar são angulações diferenciadas que influenciam sobremaneira o psiquismo na estrutura da alma em evolução. Sofrer é, portanto, um sintoma que indica que a causa sou eu mesmo, por isso devo renovar-me. A razão primeira é a inflexibilidade, ou seja, a "dureza dos seus corações".

Sofrer, em última análise, é desarranjo íntimo, conseqüência de nossa inadequação, inconformação, inexperiência; enfim, falta de entendimento diante da vida. Renovar é a meta. Você é o arquiteto de seu destino.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed) 



13 de setembro de 2012

Riqueza da Vida Interior

O Cosmo pode ser comparado a um incomensurável arquivo vivo que guarda inúmeras coleções de obras-primas. Cada texto escrito representa as diversas experiências que tivemos nas múltiplas encarnações ao longo do tempo. Cada um de nós é o somatório desses mesmos textos, compilados num único livro.

Em virtude disso, podemos encontrar "anotações sagradas" nas entrelinhas da própria alma. A divindade colocou um selo cunhado no Espírito, mas apenas quem o vê descobre sua filiação celeste.

Cada um de nós é uma "obra-prima" de Deus, única e com características peculiares. Como somos todos "livros diferentes", o sucesso de uma vida plena é ler-nos e, a partir daí, nos expressarmos perante o mundo usando nossa originalidade.

Quem não exercita a leitura de si mesmo provavelmente ficará retido na capa e distanciado do seu conteúdo. É necessário pesquisar o "índice interno": lista alfabética de nomes, lugares e assuntos, que nos permite localizar a "página íntima", onde os nossos temas podem ser encontrados, para não ficarmos presos à "capa-revestimento".

Só nos pertence realmente aquilo que interpretamos. Apenas retemos aquilo que tenha vindo de nossas experiências, análises e inspirações. Se não soubermos ler a nós mesmos, dificilmente aprenderemos a escolher bons livros. Só vence a alucinação da capa quem mergulha nas profundezas do conteúdo da vida interior.

Portanto, quando desenvolvemos a habilidade de "fazer a mente silenciar", penetramos na essência das coisas e, como resultado, passamos a escolher os livros que nos levem a maiores reflexões e, ao mesmo tempo, a tomar posse da "biblioteca viva" que existe dentro de nós.
  • Ler para compreender o mundo interior.
  • Ler para assimilar com profundeza os sentimentos.
  • Ler para observar o funcionamento da mente.
  • Ler para atingir o cerne da própria alma.
  • Não ler só para ficar na superfície romanceada.
  • Não ler para considerar apenas uma face ou um aspecto dos fatos.
  • Não ler somente para divagar em histórias fantasiosas e repetitivas.
  • Não ler para unicamente abstrair-se das dificuldades, mas para resolvê-las.
Nosso sistema de pensamento cognitivo e os demais processos espirituais estão ligados à nossa "enciclopédia sagrada". Os recursos de que necessitamos para bem viver não estão na exterioridade; estão dentro de nós, visto que cada ser humano é um "livro transcendental" repleto de conhecimentos imortais.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed) 



7 de setembro de 2012

Anjos

Anjos são espíritos puros, mensageiros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. É errônea a opinião dos que admitem a existência de seres criados efeitos e superiores a todas as outras criaturas, pois eles também percorreram os graus da escala evolutiva.

Toda criatura de Deus carrega na consciência a lei divina, afirmam os Benfeitores de Luz a Allan Kardec. e da mesma maneira "o Senhor declara: Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente".

A expressão "consciência", utilizada pelos Mentores do Bem, tem o mesmo significado de "Espírito", visto que, se as leis divinas ou naturais estivessem unicamente na área consciencial do ego, não teríamos maiores dificuldades de entendê-las ou colocá-las em prática.

Espíritos angelicais possuem a consciência plena de luminosidade e, por consequência, as leis de Deus nela contidas se revestem do mais alto grau de clareza.

Por metáfora, anjos podem ser designações das próprias leis divinas agindo para a harmonia do Cosmo.

A "consciência iluminada" é a salvação das almas, e o "Reino dos Céus" não despertará em nosso mundo interior se estivermos atrelados a padrões externos - pessoas, formas ou objetos modelados.

À proporção que caminhamos no fluxo divino, seres angelicais nos protegem e intervêm em nossa vida como instrumentos da onipresença, onisciência e onipotência do Criador.

Existe uma Determinação Universal, e ela sempre se faz presente, apesar de não a compreendermos. O desejo de Deus sempre está bem perto, dentro e, ao mesmo tempo, em volta de nós.

Os anjos assemelham-se a sóis cujos raios resplandecentes são comparados às leis celestiais que a tudo vêem e provêem. Espíritos puros emitem os clarões luminosos da compaixão, do trabalho, da humildade, da igualdade, do progresso, da fraternidade, da naturalidade, da libertação, da justiça, do amor e da generosidade.

Nosso anjo benfeitor tem a força exata da energia do bem que existe em nós. O escudo que nos protege contra as batalhas existenciais tem firmeza, consistência e compacidade diretamente proporcionais à qualidade de nossos atos e atitudes íntimas.

Por vezes, o apoio de Deus através dos seres angélicos é silenciosos e imperceptível, mas vale lembrar que, nesse auxílio providencial, se incluem as nossas tarefas diárias de responsabilidade e prudência. Essa parcela cabe a nós, no entanto isso não quer dizer que devemos tentar controlar o curso do destino, acreditando que a Consciência Cósmica passou por nós sem nos perceber.

Anjos estão "de guarda" ou anjos estão "descuidados", em perfeita simultaneidade de tempo e/ou espaço da própria "guarda" ou "distração" interior.

A aparência e as vestes que atribuímos às almas sublimes são perfeitamente ajustadas aos nossos valores, crenças, conceitos ou graus de religiosidade.

Dentro de cada um de nós, existe um sol (anjo) em formação, cujos feixes luminosos (leis divinas) já começam a se revelar. Anjos são energias de luz que auxiliam as criaturas pelas mãos do Criador.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)



2 de setembro de 2012

Renovação

Por onde andes, observa a Natureza em teu redor. Tudo se renova e tudo se transfunde para surgir de forma restaurada. Velhas folhas são substituídas pelas jovens folhagens. Ao caírem as flores, eis que os frutos despontam para o crescimento. Após a geada que queima a relva, surge novo tapete verde a cobrir as encostas e montes. Tudo que nasce é tenro e suave, repleto das potencialidades do crescer. A vida sempre se renova. Tudo obedece aos ritmos da Natureza.

Primavera, verão, outono e inverno são ciclos da vida que influenciam os reinos da Criação Divina.

Por todos os lugares, observa as leis de Deus convidando-te não só a transformação física, mas também à espiritual. Elas solicitam de ti que assimiles novas idéias e novas maneiras de ser.

Reportando-se à necessidade de mudança, disse Paulo de Tarso aos discípulos de Éfeso que era "preciso renovar-vos pela transformação espiritual da vossa mente, e revestir-vos do Homem Novo".

Somos um todo, corpo e alma, regido pelas normas amoráveis de Deus. O ser inflexível tende a ficar parado no tempo e a não se adaptar, enquanto que o maleável desliza suavemente no tempo, atualiza-se e se coloca a par das coisas novas.

Se não buscares a renovação em tua existência, estacionarás. É incontestável que a criatura que parou à margem da estrada evolutiva sofrerá as intempéries de uma jornada inacabada. Quem paralisou a própria caminhada dificultará seu crescimento espiritual.

Quem se renova assemelha-se à grandiosidade da semente na terra. "É como um grão de mostarda, que, quando é semeado na terra - sendo a menor de todas as sementes da terra - quando semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças..."

Lembra-te de que a água renovada é corrente, oriunda das chuvas, do orvalho, das nascentes, enquanto que a água estagnada é aquela que em breve, por inércia, se deteriorará, tornando-se um foco de larvas e de putrefação.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)



30 de agosto de 2012

Conscientização

Quando não visualizamos os nossos erros, não admitimos que somos nós que produzimos as nossas dores. Quando não percebemos que nossos inimigos residem em ossa casa mental, apontamos os outros como a causa de nossos dissabores; quando não permitimos mudança no mundo interior, exigimos mudança no mundo exterior.

Quem se conscientiza do processo das leis divinas entende a dor, e encontra seu valor de contribuição para o engrandecimento da própria existência. Todas as experiências para o engrandecimento da própria existência. Todas as experiências (positivas ou negativas) nos ensinam algo; basta estarmos dispostos a aprender. Nossas escolhas podem nos livrar, ou não, do cárcere da escravidão emocional.

A mensagem da Inteligência Universal é sempre aquela que incentiva a conscientização de nossas potencialidades e dons naturais. Quando despertamos espiritualmente, passamos a entender a dor por outro prisma. 

A vida é um processo evolutivo no qual todos somos criaturas caminhantes.

Precisamos ainda percorrer um longo trajeto para atingir o desenvolvimento total de nossas aptidões inatas. A Consciência Divina apenas espera nosso despertar, ou seja, que saiamos do sono da inconsciência de nós mesmos.

O ser consciente é uma criatura renovada pela experiência interior. Vive na iluminação íntima como uma pessoa comum no seio da coletividade. Seu eixo de sustentação não se encontra fora, mas dentro de si. Dispensou a segurança das expectativas e das idealizações do "eu inferior" porque tem a convicção e a estabilidade sublime do "Eu Superior".

Não obstante a nossa origem sagrada, muitos entraves nos prendem à idéia de separação da Unidade Cósmica, contrariando o que o Mestre nos ensinou ao afirmar que "nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós".
Ele se identificou com a Paternidade Celestial, à "imagem e semelhança" da Divindade que o criou.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)



27 de agosto de 2012

Amadurecimento

Quem julga as pessoas e o mundo como responsáveis pela sua infelicidade é infantil e inexperiente. Quem assume seus erros e se responsabiliza por tudo o que está vivendo interior e exteriormente, traz consigo a maturidade da criatura sábia e sensata, que aprendeu a enxergar a vida com os olhos do discernimento.

A Espiritualidade não nos aprecia ou julga com o "cetro da perfeição"; ao contrário, leva em conta as limitações de nossa condição evolutiva. Ela procura sempre estabelecer o equilíbrio da justiça, pedindo a quem muito sabe e pouco exigindo daquele que quase nada conhece.

São denominadas "cuidadores" ou "salvacionistas" os indivíduos que dispensam exagerada atenção e excessivo cuidado à vida das pessoas. Inconscientemente, se sentem responsáveis por problemas, escolhas, atos, sentimentos, bem-estar e destino de outrem. Esse comportamento, desprovido de maturidade psicológica, manifesta desrespeito à individualidade e invasão dos limites alheios.

Essa "mentalidade salvacionista" pode ter origem na atitude de superproteção cultivada pelos pais na educação dos filhos. Os adultos alegam que as crianças são ainda incapazes e indefesas e, assim, impedem-lhes o exercício diário do desenvolvimento de seu potencial - conjunto de qualidades de todo ser humano ou sua capacidade de realização. Por exemplo, amamentam-nas ou dão-lhes de comer numa fase onde elas, por si sós, são capazes de fazer sozinhas; com isso retardam seu amadurecimento, conservando-as dependentes e inseguras emocionalmente.

Por analogia, podemos comparar o ato da alimentação "física" com o ato da alimentação "emocional/espiritual". Quem tenta, obsessivamente, cuidar dos outros e controlá-los, sob a alegação de "amor ou caridade", na realidade está apenas dificultando e retardando o despertar das habilidades inatas deles.

"Irmãos, quanto ao modo de julgardes, não sejais como crianças; quanto à malícia, sim, sede crianças, mas, quanto ao modo de julgar, sede adultos".

O procedimento mais benéfico que podemos adotar para facilitar nosso amadurecimento espiritual, é exercitar o auto-julgamento e assumir total responsabilidade por tudo aquilo que sentimos, pensamos e fazemos, deixando que os outros aprendam também a se autojulgar e auto-responsabilizar-se através das próprias experiências.

Ninguém deposita em braços frágeis objetos pesados. Analogamente, a Divina Providência não nos apresenta um problema sem que tenhamos a capacidade de resolvê-lo.

O que estamos vivendo hoje é produto de nossas escolhas, decisões e, portanto, é responsabilidade só nossa. Quando aceitarmos plenamente essa afirmação, teremos condições de discernir com maior clareza os limites das verdadeiras necessidades, nossas e dos outros.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)



23 de agosto de 2012

Máscaras

Os atos e as atitudes que tomamos no presente estão intimamente ligados a desejos, aspirações, sentimentos e emoções antecedentes. Nossas ações não são efetivadas sem razões anteriores. Toda atuação de hoje é influenciada por crenças, preconceitos, valores éticos, convenções sociais, visto que é por detrás da cortina do teatro da vida íntima que estão as verdadeiras razões do nosso jeito de agir e de pensar.

Todos nós passamos por situações constrangedoras e estonteantes, e, por não sabermos lidar com elas e por desconhecer sua origem, quase sempre acionamos mecanismos de defesa do ego.

Esses mecanismos podem ser definidos como um conjunto de emoções e tendências comportamentais que ocorrem automaticamente quando percebemos, de forma consciente ou não, uma ameaça psíquica, e queremos nos proteger dessa amarga realidade.

Os mecanismos de defesa estão ligados de certo modo às funções adaptativas do ego - são "molas" que amenizam os golpes psicológicos que sofremos na alma. Por isso, não devem ser vistas simplesmente como sinônimos de patologia emocional, porquanto seu uso instintivo será considerado adequado ou não, desde que sejam utilizadas durante o "tempo necessário" para equilibrar ou recompor a saúde integral.

A perpetuidade de qualquer medida defensiva do ego diante de um fato ou acontecimento poderá ser definida como doença dou desequilíbrio de uma função psíquica.

Em muitas ocasiões, as "dores da alma" tendem a dar continuidade a um ou a outro mecanismo de defesa, levando-nos à formação de uma grande e insuportável coleção de máscaras e, sem dúvida, a uma diversidade de "eus desconexos".

François de La Rochefoucauld, escritor francês, dizia que "ficaríamos envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse as reais intenções que as motivaram".


É verdade que desconhecemos inúmeros meandros da nossa conduta atual e precariamente suspeitamos de que forma certas ocorrências desconhecidas especificam nosso modo de agir.


Muitas "ações caritativas", se fossem avaliadas profundamente, talvez trouxessem à tona da nossa consciência revelações surpreendentes e inesperadas. Poderíamos observar que a raiz intencional que as motivou foi: compensação do complexo de inferioridade, desatenção seletiva diante de situações aflitivas, entorpecimento de sensações afetivas, introjeção de onipotência, deslocamento de vantagens políticas, negação de interesses sociais, projeção de imunidade e regalias, repressão de sentimentos não admitidos.

Não estamos aqui fazendo menção dos verdadeiros "atos de caridade', nem induzindo ninguém a fazer um julgamento precipitado sobre o comportamento alheio, mas nos convidando a fazer uma reflexão sobre as raízes do nosso comportamento.

Ainda que não admitamos, somos bons atores gregos, representando, de forma pensada ou não, nossos papéis com as máscaras apropriadas.

A Sabedoria do Universo discerne "as disposições e as intenções do coração. E não há criatura oculta à sua presença. Tudo esta nu e descoberto aos olhos daquele a quem devemos prestar contas".

Deus não julga os atos em si, mas as reais intenções que antecedem esses atos. Entretanto, sabemos que a Bondade Absoluta não castiga ninguém, apenas deseja que procuremos aprender, crescer e amadurecer.

Hoje, quem tem um mínimo de nitidez interior entende que os fenômenos psicológicos que se processam na psique humana devem ser entendidos e assimilados e os seus conteúdos (esquecidos e bloqueados) trazidos à luz da consciência.

Por fim, gostaríamos de deixar claro que, do que foi aqui exposto, não tivemos a intenção de nos impor culpas. As culpas, anteriormente denominadas "pecados", não nos devem induzir à autocondenação, e sim à auto-análise, reparação e transformação íntima; jamais à censura, mortificação e castigo.

Referência: Um Modo de Entender: Uma Nova Forma de Viver, de Francisco do Espírito Santo Neto (espírito Hammed)