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21 de setembro de 2013

Mediunidade

“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. (...) Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).

Assim, conforme asseverou o Codificador, todos mantemos contato com o Mundo Espiritual, pois vivemos em incessante intercâmbio com o mesmo. Desta forma, ao fazermos uma oração recebemos o amparo da espiritualidade maior, do nosso protetor/mentor espiritual, entramos em contato com as usinas de força da Vida Maior. Por conseguinte, estamos exercendo a mediunidade, haja vista que recebemos a influência dos espíritos superiores. E, pela questão da sintonia vibratória, isso também vale para os espíritos menos elevados, pois quando alguém tem pensamentos inferiores, espíritos que se afinam com estes são atraídos. "O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações". Allan Kardec. Entretanto, usualmente só se chamam de médiuns “aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo IX)

Posto isso, os principais tipos de mediunidade são:

.de efeitos físicos: este tipo pode ser dividido em dois grupos, ou seja, os facultativos - que têm consciência dos fenômenos por eles produzidos - e os involuntários ou naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos espíritos para promoverem manifestações fenomênicas sem que o saibam.

.dos médiuns sensitivos ou impressionáveis: são pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão. Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas até a sua individualidade.

.médiuns audientes ou clariaudientes: neste caso os médiuns ouvem a voz dos espíritos. O fenômeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo. Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta, semelhante a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer conversação com os espíritos.

.médiuns videntes ou clarividentes: são dotados da faculdade de ver os espíritos. Cabe salientar que o médium não vê com os olhos, mas é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.

.médiuns psicofônicos: neste tipo o médium serve como um instrumento pelo qual o espírito se comunica pela fala; assim, há a acoplação do perispírito do espírito comunicante no perispírito do médium, permitindo, assim, que o espírito utilize o aparelho fonador do médium para fazer uso da fala.

.médiuns de cura: Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo. Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel. Porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa.

A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico. No caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação. 

.médiuns mecânicos: Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa, da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma ação diretamente exercida pelo Espírito sobre esses objetos. A cesta se agita por vezes com tanta violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas pessoas da assistência para nelas bater. Outras vezes, seus movimentos dão mostra de um sentimento afetuoso. O mesmo ocorre quando o lápis está colocado na mão do médium; freqüentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão, bem como a cesta, se agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico, ainda quando o médium está possuído da maior calma e se admira de não ser senhor de si Digamos, de passagem, que tais efeitos demonstram sempre a presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos superiores são constantemente calmos, dignos e benévolos; se não são escutados convenientemente, retiram-se e outros lhes tomam o lugar. Pode, pois, o Espírito exprimir diretamente suas idéias, quer movimentando um objeto a que a mão do médium serve de simples ponto de apoio, quer acionando a própria mão. 

Quando atua diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e pára, assim ele acaba. 

Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta; têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade, por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

.médiuns intuitivos: 180. A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. E o que se chama médium intuitivo. 

Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium. 

O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do médium intuitivo. 

.médiuns semimecânicos: 181. No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o. Estes últimos médiuns são os mais numerosos 

.médiuns inspirados: 182. Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste último gênero. A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam para o bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que querem o nosso bem e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir. Ela se aplica, em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar. Sob esse aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha seus Espíritos protetores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos protegidos salutares idéias. Se todos estivessem bem compenetrados desta verdade, ninguém deixaria de recorrer com freqüência à inspiração do seu anjo de guarda, nos momentos em que se não sabe o que dizer, ou fazer. Que cada um, pois, o invoque com fervor e confiança, em caso de necessidade, e muito freqüentemente se admirará das idéias que lhe surgem como por encanto, quer se trate de uma resolução a tomar, quer de alguma coisa a compor. Se nenhuma idéia surge, é que é preciso esperar. A prova de que a idéia que sobrevém é estranha à pessoa de quem se trate esta em que, se tal idéia lhe existira na mente, essa pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria razão para que ela se não manifestasse à vontade. Quem não é cego nada mais precisa fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser. Do mesmo modo, aquele que possui idéias próprias tem-nas sempre à disposição. Se elas não lhes vêm quando quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo. 

Também se podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de inteligência fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e de elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras. Nesses momentos, que com acerto se chamam de inspiração, as idéias abundam, sob um impulso involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior nos vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo. 

183. Os homens de gênio, de todas as espécies, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos e de conceber grandes coisas. Ora, precisamente porque os julgam capazes, é que os Espíritos, quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias e assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação. Se não esperasse ser atendido, por que exclamaria, tão freqüentemente: meu bom gênio, vem em meu auxílio? 

As respostas seguintes confirmam esta asserção: 

a) Qual a causa primária da inspiração?
"O Espírito que se comunica pelo pensamento." 

b) A revelação das grandes coisas não é que constitui o objeto único da inspiração?
"Não, a inspiração se verifica, muitas vezes, com relação às mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo, queres ir a alguma parte: uma voz secreta te diz que não o faças, porque correrás perigo; ou, então, te diz que faças uma coisa em que não pensavas. É a inspiração. Poucas pessoas há que não tenham sido mais ou menos inspiradas em certos momentos." 

c) Um autor, um pintor, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração, ser considerados médiuns?
"Sim, porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais livre e como que desprendida da matéria; recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a inspiram." 

.médiuns de pressentimentos: O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. 

"Mediunidade espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que ninguém pode prescindir". Joanna de Ângelis (espírito), livro Oferenda - pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco 

.médiuns psicógrafos: Transmitem as comunicações dos espíritos através da escrita. São subdivididos em mecânicos, semimecânicos e intuitivos. Os mecânicos não têm consciência do que escrevem e a influência do pensamento do médium na comunicação é quase nenhuma. Como há um grande domínio da entidade sobre a faculdade mediúnica a idéia do espírito comunicante se expressa com maior clareza.

Há casos em que o médium psicografa mensagens complexas conversando com outras pessoas, totalmente distraído do que escreve. Já nos semimecânicos, a influência da entidade comunicante sobre as faculdades mediúnicas não é tão intensa, pois a comunicação sofre uma influência do pensamento do médium. Isso ocorre com a maioria dos médiuns psicógrafos. Com relação os intuitivos, estes recebem a idéia do espírito comunicante e a interpretam, desenvolvendo-a com os recursos de suas próprias possibilidades morais e intelectuais.

“Mediunidade espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que ninguém pode prescindir”. Joanna de Ângelis (espírito), livro Oferenda – pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco



23 de julho de 2013

A eficácia da prece depende da vontade de nos melhorarmos

Será certo pedir tanto? Perguntamos tantas vezes... Mas, se necessitamos da misericórdia divina para continuarmos a ter coragem nas lutas diárias, por que não podemos pedir? O problema está no quê pedir e no como fazê-lo. Imaginar que a prece com muitas palavras, colocadas em determinada ordem, muito elaborada e sem ser clara e concisa, que se prenda mais à forma que à essência e que necessite de um lugar especial para que atinja seu objetivo, seja mais agradável a Deus, é prender-se a um deus que privilegia, que escolhe e não percebe o eco que essa prece faz no coração de quem pede.

E é justamente por tudo saber que Ele não deixa sem resposta os nossos apelos. Nossa dificuldade reside em não entendermos de que maneira esses nossos pedidos são atendidos, pois que esperamos sempre que nossos desejos sejam satisfeitos e as necessidades que acreditamos possuir, atendidas. Deus nos responde sempre com aquilo de que nós, realmente, necessitamos e não com o que supomos precisar.

Assim, quando oramos ao Pai ou aos bons Espíritos, é importante lembrar que a eficácia da prece depende de nossa real vontade de nos melhorarmos; que a oração é um ato de adoração e submissão a Deus e às Suas Leis, compreendendo Sua bondade; que ao pedirmos algo, que seja um pedido do necessário e não do supérfluo; que ao pedirmos por todos, encarnados e desencarnados, ou a favor de alguém em especial, que, esse ato seja um princípio de caridade, pois pedimos para o outro aquilo que desejaríamos para nós.

Das preces que fazemos, o Pai Nosso representa a oração-símbolo, porque contém todas as que conhecemos de cor e aquelas que nossa imaginação puder criar. É um roteiro completo de aperfeiçoamento por ter um caráter universal, uma vez que pode ser feita por todos aqueles que acreditam em Deus. É a prece que nos coloca, sem dúvida alguma, em harmonia com o Pai, quando encontra eco em nossos corações.

Por ser concisa e simples, é fácil entender que ela traz os nossos deveres para com Deus e com o próximo e, por essa razão, transforma-se em uma profissão de fé, em um ato de adoração e submissão ao Criador.

Quando dizemos “Pai Nosso que estais no céu”, - estabelecemos, em nós, a crença no poder e na bondade divinos, e o reconhecimento da solicitude paternal – exceto para os orgulhosos; entramos em conexão com Deus, reconhecendo-o como causa primária de todas as coisas, louvando-O e agradecendo-Lhe com humildade. Ao pedirmos que “venha a nós o vosso reino, assim na Terra como no céu”, estamos rogando que a felicidade prometida por Jesus chegue até nós, sem que nos esqueçamos, todavia, que só a alcançaremos, segundo nossa responsabilidade e méritos, conquistados nas lutas de cada dia.

Se cada um de nós fizer bom uso de seu livre-arbítrio, estabelecendo intimamente o compromisso de cumprir as Leis de Deus, estaremos participando da harmonia universal; colaborando para que o Bem reine soberano sobre o planeta. A vontade do Pai vem sempre carregada de sabedoria, misericórdia e bondade e, se a compreendermos e aceitarmos, sem qualquer dúvida ou medos, ela se tornará, para nós, instrumento poderoso de progresso material e espiritual.

Tantas vezes rogamos ao Criador que o pão nosso de cada dia esteja em nossas mesas e em nossas almas... Entretanto, para que sejamos atendidos, necessitamos cumprir a Lei do Trabalho, seja na busca do pão material, seja na do pão espiritual.

Mão, pés, inteligência, vontade... Tudo isso são recursos que Ele colocou à nossa disposição para o cumprimento dessa lei. Se não os usamos adequadamente, também não podemos nos queixar das carências que hoje experimentamos. Mas, que nossa ambição, o descontentamento pelo que temos, a idéia de que Deus é injusto, porque dá ao outro que não merece – segundo nosso ponto de vista – tudo aquilo que deveria ser nosso, porque acreditamos merecer – também de acordo com nossa maneira de ver a vida – não nos faça sucumbir e atrasar nosso progresso.

E sucumbimos sim, muitas vezes, mas a bondade do Pai é tão grande que nos dá sempre novas oportunidades. Perdoa as nossas dívidas, porque cada falta é uma dívida, para que entendamos a necessidade que temos, também, de perdoar aqueles que estão em débito para conosco.

Quantas vezes rogamos a caridade de Deus para com nossos erros e não conseguimos ser caridosos e nem misericordiosos com as faltas alheias... Entretanto, são essas dificuldades que nos fortalecem e promovem nosso progresso. E com que finalidade Deus permitiria a existência desses obstáculos em nosso dia a dia? O objetivo é o entendimento de que se O aceitamos como justo, essas aflições também devem ser justas. Por isso, é importante aprendermos a perdoar, mesmo que tenhamos muitas dificuldades no início, porque o perdão é a essência da caridade. É ele que nos liberta das faltas que cometemos. É ele que nos fortalece, evitando que sejamos alvos das más influências.

É através do perdão, da indulgência para com os erros dos outros que somos assistidos para não cairmos em tentação e protegidos do mal. Nossas imperfeições e fraquezas são caminhos abertos às más influências. Elas atrasam nosso progresso e nos levam a novas quedas. Assim, quando nos propomos, efetivamente, a superar essas imperfeições, com a ajuda de Deus e a nossa vigilância, também passamos a aceitar que as dificuldades fazem parte do nosso crescimento espiritual; que Deus nos provê daquilo que é melhor para nós e que somos tão imperfeitos quanto aquelas pessoas que nos acompanham na trajetória evolutiva, sejam elas parentes, amigos, companheiros de trabalho ou desconhecidos.
Pensando e agindo dessa forma, cumprimos o objetivo para o qual fomos criados: o de sermos felizes, estabelecendo, em nossos corações, definitivamente, o Reino de Deus.
E como termina a oração, que assim seja.

Texto por LEDA MARIA FLABOREA E ADONIS SORAGGI
A oração neutraliza qualquer força negativa. Cultive a prece. (Pastorino)

 

24 de junho de 2013

O poder da irradiação

Conforme o dicionário, é o ato ou efeito de emitir ondas, lançar raios de luz ou de calor, ou vibrações. Em termos de Espiritismo a definição para irradiação é: Transmissão de fluidos espirituais à distância. No processo da irradiação, transmitimos aos outros, pelo mecanismo da força mental, a carga de força vital que dispomos para doar. A irradiação se faz à distância, projetando o nosso pensamento e sentimentos em favor de alguém, movimentando as forças psíquicas através da vontade.

A pessoa que irradia deve cultivar bons sentimentos, bons pensamentos e bons atos. Isto vai lhe formando uma "atmosfera espiritual" positiva, criando uma tonalidade vibratória e uma quantidade de fluidos agradáveis e salutares que poderão ser dirigidos através da vontade para outras pessoas.

A pessoa que irradia deve focalizar mentalmente o paciente para quem quer fazer a irradiação e transmitir, através do sentimento, aquilo que deseja: paz, conforto, coragem, saúde, equilíbrio, paciência etc. Irradiação é a projeção do pensamento e do sentimento, que são energias que conseguimos exteriorizar de nós mesmos. Cada cérebro pode emitir vibrações de alta ou baixa freqüência, de acordo com os pensamentos constantes.

Irradiamos todos nós através dos nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atos. Essa energia que emitimos continuadamente forma nosso hálito mental e se propaga ao nosso derredor. Essas energias têm reflexos sobre nós mesmos e sobre as pessoas que convivem conosco, os que estão distanciados e todos os seus do ambiente em que vivemos.

Nos processos de irradiação, o seareiro, pela ação de sua vontade dirigida, transmite aos outros as suas energias vitais, que são imediatamente repostas pela absorção e metabolização automática das energias do ambiente pelos centros de força (chacras).

Na irradiação, a pessoa, aplicando pensamento e vontade acelera essa absorção-metabolização de energias vitais e espirituais direcionando-as para aquele que as receberá.

Os fluidos ou energia, se submetem à lei das proporções, isto é, cada um de nós movimenta uma certa quantidade relativa dessas forças, que podem ser ajuntadas com as dos espíritos, proporcionalmente, sendo então carreadas para o seu objetivo. Devemos focalizar o nosso pensamento, restringindo-o a uma certa área, pessoa ou grupo de pessoas, para que ele seja o sustentáculo dessa mesma força. Isto quer dizer que a nossa irradiação deve focalizar alguém, alguns ou uma situação determinada, cientes de que os pedidos feitos genericamente em favor de todos os necessitados não alcançam objetivamente os seus fins. Apenas valem pela intenção. O potencial movimentado é aplicado de acordo com o mérito de cada um. Isto é, não é pelo fato de alguém pedir excessivamente em favor de alguém que conseguirá o seu fim. A pessoa que irradia deve inicialmente concentrar-se; orar em seguida, e depois, pela vontade, focalizar o objeto de sua irradiação e transmitir aquilo que se deseja.

Endereço vibratório
Todas as nossas ações e atitudes refletem as nossas disposições mentais e emocionais. Quando escrevemos ou ditamos para que seja escrito, não apenas alinhamos no papel nossas idéias, mas são grafadas também nossas disposições íntimas. Isso significa que podemos escrever com a luz dos sentimentos nobres ou com as tintas escuras do negativismo. No momento em que adicionamos o nome de alguém para irradiação, aquele nome estará impregnado da energia de quem solicitou a irradiação, pois certamente, quem deseja ajudar estará com o pensamento em quem ele quer ajudar no momento da inscrição do nome. Isto criará o endereço vibratório.

O importante, no momento da escrita, é que alguém esteja mentalizando o paciente para se criar o endereço vibratório. Os espíritos que vão atuar neste processo fazem a localização do paciente através do “endereço vibratório”, não sendo essencial se anotar o endereço. A leitura dos nomes de necessitados e os respectivos endereços são necessários somente para que os médiuns criem uma imagem mental.

O “endereço vibratório” guia os espíritos, assim como os policiais que fazem o cão treinado cheirar algo do fugitivo para encontrá-lo. Se o número de necessitados é muito grande, podemos reuni-los em grupos de dez ou mais e numerar esses grupos e, ao invés de nomes, enunciar os grupos pelos respectivos números, ou ainda, suprimir tal enunciação, somente conservando sobre a mesa os competentes registros, conforme nos orienta Edgard Armond, no livro Passes e Irradiações.

Isto quer dizer que quando escrevermos ou ditarmos para alguém escrever os nomes de irmãos que necessitam de ajuda, o façamos movidos pelo desejo sincero de auxiliar e socorrer, e não com o propósito de nos libertarmos do dever de ter que orar em benefício do semelhante. Isto vai lhe formando uma "atmosfera espiritual" positiva, criando uma tonalidade vibratória e uma quantidade de fluidos agradáveis e salutares que poderão ser dirigidos através da vontade para outras pessoas. Recolhido em prece, o homem de boa vontade recebe recursos do Plano Superior, projetando-os depois, na direção do enfermo ausente, cuja figura mentaliza.

Superando obstáculos
Os espíritos que trabalham na cura enfrentam sérias dificuldades no serviço de socorro aos pacientes cujos nomes estão inscritos nas listas dos centros espiritualistas. Além das dificuldades técnicas resultantes de certo desequilíbrio do ambiente onde eles atuam, outros empecilhos os aguardam em virtude do estado psíquico dos próprios doentes.

Às vezes, o enfermo tem a mente saturada de fluidos sombrios devidos a conversações maledicentes de intrigas, calúnias e fofocas. Outros, encontram-se em excitação nervosa devido a uma violenta discussão. Existem aqueles que estão presos no vício das drogas e do álcool, dificultando ainda mais o trabalho socorrista.

Outras vezes, os fluidos irradiados das sessões espíritas penetram nos lares enfermos, mas encontram o ambiente carregado de fluidos agressivos provenientes de discussões ocorridas entre os seus familiares.
É evidente que os desencarnados têm pouco êxito na sua tarefa abnegada de socorrer os enfermos quando estes vibram sentimentos de ódio, vingança, luxúria, cobiça ou quaisquer outros sentimentos negativos.

No processo de irradiação, ocorrerá um fluxo de energia que se dirigirá a outra pessoa, chegando ao perispírito desta, que poderá absorvê-las ou não, de acordo com a lei de sintonia, de afinidade, de merecimento e de condições específicas do momento.

Para a irradiação ser eficaz, a pessoa que a ser ajudada deve estar receptiva (favorável ao recebimento da ajuda para melhor absorver o recurso espiritual). Além disso, é fundamental estar disposta a se melhorar espiritualmente. A ajuda da irradiação é passageira e tais recursos fixar-se-ão e novos acrescentar-se-ão quando o indivíduo passar a ter vida moralmente equilibrada.

Aqueles que foram fazer as vibrações (irradiação), deverá recolher-se em oração, evitar desentendimentos, ambientes negativos e intoxicar-se com fumo, alcoólicos etc.

O Evangelho no Lar é muito Importante para ajudar harmonizar o ambiente e despertar nossa religiosidade. Um ambiente harmonioso é extremamente importante. Lar sem harmonia passa a ser habitado por entidades inferiores, que criam desentendimentos colocando todos para fora. Um sai de casa por isso, outro por aquilo, desmantelando toda a família. Com o autoconhecimento e nossa reforma íntima estaremos cada vez mais aptos para ajudarmos e sermos ajudados, inclusive, através das irradiações energéticas.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 46.

9 de junho de 2013

Psicologia Espírita

Por que Psicologia Espírita? Psicologia é a ciência que estuda a mente humana e pretende compreender o comportamento, as emoções, o pensar do homem. Muitas são as teorias psicológicas, mas aqui queremos apenas abordar o aspecto psicológico da ciência Espírita e com isso refletir sobre essa questão tão delicada e, às vezes, polêmica – Há uma PSICOLOGIA ESPÍRITA?

Allan Kardec, o grande codificador do Espiritismo, explica na introdução de O Livro dos Espíritos, que o termo alma tem aplicação diversa, o que suscita confusão, e esclarece sua representação para a ciência espírita. Então, alma diz respeito ao espírito encarnado e, assim, temos a base para a compreensão da imortalidade da alma independente da matéria. Sendo o Espírito, imortal. Mais adiante na questão 145, Kardec questiona:
“Como é que tantos filósofos antigos e modernos têm longamente discutido sobre a ciência psicológica, sem chegar à verdade”? (grifo nosso)
—‘Esses homens eram os precursores da doutrina espírita eterna, e prepararam o caminho. Eram homens e puderam enganar-se, porque tomaram pela luz as suas próprias ideias; mas os seus mesmos erros através dos prós e contras de suas doutrinas, servem para evidenciar a verdade. Aliás, entre esses erros se encontram grandes verdades, que um estudo comparativo vos fará compreender’.

Com essa resposta entendemos que a ciência espírita vem consolidar a enorme gama conhecimentos preciosos para a compreensão do homem e sua psicologia. Portanto, podemos afirmar com base nos ensinamentos de Kardec que existe uma psicologia Espírita que explica o homem em seu múltiplo aspecto e acima de tudo como um princípio inteligente em evolução.

E mais, a psicologia espírita está baseada no ensinamento de Jesus de amar a Deus, ao próximo e a si mesmo, processo contínuo da Vida do Espírito de auto e alo educação. E que o conhecimento que a humanidade vem adquirindo com variados pensamentos e teorias nos ajudam chegar à verdade.

A psicologia como ciência acadêmica vem pesquisando essa abordagem transpessoal e já consegue vislumbrar o ser humano na visão biopsicossocial e espiritual. Mas é bom deixar claro que estamos aqui falando da ciência em si, obviamente que na prática clinica, o psicólogo ou psicóloga espírita realiza seu trabalho com foco na teoria que abraça sem misturar religião e tratamento psicológico. O que existe é uma compreensão do “homem integral.”¹

Márcia Carijó - Psicóloga

¹Expressão utilizada por Joanna De Ângelis em sua série psicológica.

28 de maio de 2013

USP estuda eficácia do Passe Magnético

Um estudo desenvolvido recentemente pela USP (Universidade de São Paulo), em conjunto com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), comprova que a energia liberada pelas mãos tem o poder de curar qualquer tipo de mal estar.

O trabalho foi elaborado devido às técnicas manuais já conhecidas na sociedade, caso do Johrei, utilizada pela Igreja Messiânica do Brasil e ao mesmo tempo semelhante à de religiões como o Espiritismo, que pratica o chamado “passe”.
Todo o processo de desenvolvimento dessa pesquisa nasceu em 2000, como tema de mestrado do pesquisador Ricardo Monezi, na Faculdade de Medicina da USP. Ele teve a iniciativa de investigar quais seriam os possíveis efeitos da prática de imposição das mãos. “Este interesse veio de uma vivência própria, onde o Reiki (técnica) já havia me ajudado, na adolescência, a sair de uma crise de depressão”, afirmou Monezi, que hoje é pesquisador da Unifesp.

Segundo o cientista, durante seu mestrado foi investigado os efeitos da imposição em camundongos, nos quais foi possível observar um notável ganho de potencial das células de defesa contra células que ficam os tumores. “Agora, no meu doutorado que está sendo finalizado na Unifesp, estudamos não apenas os efeitos fisiológicos, mas também os psicológicos”, completou.

A constatação no estudo de que a imposição de mãos libera energia capaz de produzir bem-estar foi
possível porque a ciência atual ainda não possui uma precisão exata sobre esse efeitos. “A ciência chama estas energias de ‘energias sutis’, e também considera que o espaço onde elas estão inseridas esteja próximo às frequências eletromagnéticas de baixo nível”, explicou.

As sensações proporcionadas por essas práticas analisadas por Monezi foram a redução da percepção de tensão, do stress e de sintomas relacionados a ansiedade e depressão. “O interessante é que este tipo de imposição oferece a sensação de relaxamento e plenitude. E além de garantir mais energia e disposição”.

Neste estudo do mestrado foram utilizados 60 ratos. Já no doutorado foram avaliados 44 idosos com queixas de stress. O processo de desenvolvimento para realizar este doutorado foi finalizado no primeiro semestre de 2011. 


*Leia também:

Monica Heymann Fedele


23 de abril de 2013

Pesquisa analisa atividade cerebral de médiuns durante psicografia


Um interessante desafio da psicologia e da neurociência é compreender a experiência humana da espiritualidade/religiosidade. Cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, mediram as atividades cerebrais de médiuns enquanto eles faziam a chamada "psicografia". Acreditam os médiuns e espíritas que esse fenômeno consiste na escrita de um texto pela mão dos médiuns durante um estado profundo de transe, supostamente conduzidos por um espírito. Eles compararam a atividade cerebral dos sujeitos enquanto realizavam psicografias com a atividade das mesmas pessoas enquanto escreviam textos normais, fora do estado de transe. O estudo foi publicado em 16 de novembro de 2012 no periódico científico online "PLOS ONE".

O estudo liderado pelo cientista Julio Peres, do Instituto de Psiquiatria da USP, foi realizado com 10 médiuns voluntários brasileiros que tinham de 15 a 47 anos de experiência em psicografia. Eles foram divididos em dois grupos: os com mais e os com menos experiência.

Para verificar a atividade cerebral dos dez médiuns, os cientistas injetaram neles um marcador radioativo que permite checar a intensidade dos fluxos sanguíneos em diferentes áreas do cérebro por meio de tomografia.

Os autores afirmam que os médiuns experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade durante a psicografia, em comparação à escrita normal, justamente em áreas frontais do cérebro associadas ao planejamento, raciocínio, geração de linguagem e solução de problemas. De acordo com os pesquisadores, isso pode refletir a ausência de consciência durante a psicografia.  

Já os médiuns psicógrafos menos experientes tiveram atividade mais intensa nessas mesmas áreas enquanto psicografavam, ainda que também inferior à registrada durante a escrita fora de transe. Segundo os pesquisadores, isto poderia estar relacionado com uma tentativa “mais esforçada” dos médiuns menos experientes de fazer a psicografia, enquanto os mais experientes já não precisariam fazer o mesmo esforço.

A equipe de pesquisa também realizou uma análise sobre os textos produzidos e concluíram que aqueles psicografados resultaram mais complexos que os produzidos em estado normal de vigília e consciência, especialmente entre os médiuns mais experientes. Seria de se esperar que isso exigisse mais atividade em áreas frontais e temporais do cérebro, mas não foi o que os cientistas observaram.

De acordo com Peres, em matéria publicada pelo portal G1, não há ainda uma explicação exata para esses resultados, mas eles merecem um aprofundamento. Uma hipótese interessante levantada é que, como a atividade nas partes frontais do cérebro diminui, outras zonas, relacionadas à criatividade, ficariam mais desinibidas e ativas durante os processos de psicografia.O estudo, no entanto, já traz uma contribuição muito interessante sobre este tema tão intrigante.

Fonte: G1